Era impossível não reparar. Sorriso largo, cabelos compridos e negros, olhos escuros que sempre expressavam suas verdadeiras emoções. Estatura baixa. Não era gorda, nem magra: no ponto. Voz firme, decidida, segura de si. Simpática, engraçada, porém um tanto rude, o que lhe dava um toque especial. Dois anos a admirá-la, de longe. As trocas de palavras quase eram inexistentes.
Caminhos diferentes. Quatro anos se passaram. Um reencontro organizado por terceiro, e foram cerca de quatro horas quase que ininterruptas de diálogo. Conhece-la! Tinha sede de ouvi-la. Saber, por ela própria, o que pensava, o que sentia, o que desejava. Enquanto ouvia, não parava de olhar para ela, os olhos fotografavam cada gesto, cada movimento. Como poderia estar ainda mais linda?
Os encontros agora eram frequentes. Conversas, cafunés, abraços. Ela é possuidora de um abraço forte, quente, acolhedor, protetor. Impossível não se perder em seus braços.
Velocidade. Tudo acontecendo rapidamente. Em um mês, a amizade já estava firmada, e apenas isso já não bastava.
Receio, medo, dúvidas.
Receio, medo, desejo!
O quase.
Braços entrelaçados, o abraço envolvente. Respiração. Seu perfume inebriante. Um sussurro. Seus lábios a pressionar os meus, uma leve sucção... Recuei. Batimento acelerado. Nervosismo de ambos os lados.
O adeus.
O convite.
O retorno.
Poppysmic¹.
Impulso. Ela sempre à frente. Segurou-me firme. Mão na nuca, dedos cravados repuxando meus cabelos. Batimento descompassado. Arrepio. Lábios doces, fortes. O gosto dela é delicioso. Desejo ardente. Suas mãos dançavam pelo meu corpo. Prazer.
O compromisso.
Preconceito por toda parte, principalmente dentro de casa. Humilhação. Vontade de lutar. Companheirismo. Apoio. Amizade. Amor. Vitórias significativas. Felicidade. Dúvida. Felicidade. Ciúmes. Brigas. Pazes. Brigas. Pazes. Brigas. Quase pazes.
O término.
Um cartão romântico, o desejo se esvaindo implicitamente. Uma tarde tranquila, passeio cultural. Risos constrangidos. A falta de assunto. Ela chorava. Silêncio. Não parecia ser capaz de formar as palavras, mas formou. Acabou. Meu coração estava vazio, não conseguia pensar em nada. Dor. Tremor. Temor. Orgulho. Aparentemente frieza.
A falta. Cada dia, a dor parecia ser pior. A indiferença. Orgulho. A ligação. Foi um erro. O choro. Lágrimas escorriam pelo meu rosto, tentando tirar toda dor que habitava em mim. Soluços. Desespero. Um tanto patético.
O pedido de reconciliação.
A negação.
A saudade.
O fim.
Poppysmic¹ - Som produzido pelos lábios em um beijo.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
quarta-feira, 4 de abril de 2012
O Preconceito

Desde que o mundo é mundo esse ato está presente em todos os seres humanos.
Deixe-me destruir uma utopia de ‘apreconceito’ (um pequeno neologismo da minha parte): Com a condição de que existem seres humanos, sempre existirá o degradante ato discriminatório.
Você é muito alto? Muito baixo? Talvez seja gordo, ou até mesmo magro? Sua religião é o candomblé? Umbanda? Católica? Evangélica? Você é Negro? Asiático? Mulher? É pobre? Um tanto gago, quem sabe? É feio? Bonito? (Sim! Até para os bonitos o preconceito existe!) Enfim, o que não falta são categorias para que uma pessoa sofra preconceito por ser o que é.
A modinha agora é preconceito sexual.
Eu sou heterossexual. Mas me diga uma coisa, isso desde quando é da sua conta? Será que é tão importante para você o que me dar prazer, como eu decido e com quem eu escolho viver minha vida? É muita preocupação com a vida dos outros para a minha pouca paciência!
Os homossexuais é um grupo que sofre muito com isso. E foi por conta deles que resolvi escrever hoje. Porque o engraçado de tudo isso (se é que essa história pode ter alguma graça) é que as próprias pessoas que reclamam do preconceito não assumem, e às vezes nem enxergam, o próprio preconceito!
Exemplificarei o que estou querendo dizer.
Além de ser heterossexual, como já citei acima, eu tenho meus princípios voltados para o cristianismo. Vez ou outra eu frequento alguma igreja evangélica, mas não faço parte de nenhuma. Evangélico sofre bastante preconceito, e de todas as partes. Por ter meus princípios voltados para tal lado, sabe de quem eu mais recebo discriminação? Dos homossexuais. Desses mesmos homossexuais que gritam aos quatro ventos que estão cansados de tanta discriminação. Isso é um tanto contraditório.
Se cada um tomasse conta da sua vida e as conversas sobre temas tão polêmicos (religião, futebol, política, orientação sexuais e afins) fossem praticadas com educação e respeito... Tudo seria bem diferente. Engraçado que, assim como o preconceito, esse ‘se’ sempre existirá.
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